Para Quem Acha Qua Piratas Não Existem

20 11 2008


O artigo abaixo é do Valor Econômico e diz respeito aos piratas modernos.


O seqüestro de um navio-tanque saudita na costa do Quênia vai elevar os custos de seguros e de segurança para a marinha mercante e forçar mais embarcações a adotar uma rota mais segura e mais lenta ao longo da continente africano, na opinião de seguradoras e companhias de transporte marítimo.

O ataque ao MV Sirius Star deu-se a 800 quilômetros da costa, numa área que se pensava fora do alcance de piratas. Eles atacaram um navio de 324 metros de comprimento, carregado com US$ 100 milhões em petróleo, demonstrando um poder de alcance sem precedentes.

O evento pode levar as seguradoras a exigir seguro especial para cobertura de uma área marítima muito maior e encorajar as companhias de transporte marítimo a contratar mais segurança a bordo. “Isso pode mudar as regras do jogo”, diz Peter Hinchliffe, diretor marítimo da Câmara Internacional de Transporte Marítimo, baseada em Londres.

Os piratas fizeram um novo ataque ontem, quando um cargueiro com bandeira de Hong Kong, carregado com 36.000 toneladas de trigo com destino ao Irã, foi seqüestrado no Golfo de Áden, perto do Iêmen, segundo a agência chinesa de notícias Xinhua.

O destino do Sirius, agora ancorado nas proximidades de Harardhere, na Somália, continuava incerto até ontem à noite. A Otan e a 5ª Frota da Marinha dos Estados Unidos anunciaram que iriam manter quatro navios de guerra no Golfo de Áden, em alto-mar, na altura da Somália e do Chifre da África, onde a maioria dos ataques tem ocorrido.

“No momento, a Vela está aguardando contato mais preciso dos piratas que controlam o navio”, informou o proprietário da Vela Internacional, empresa baseada em Dubai que é a subsidiária de transportes da petrolífera saudita Aramco.

As taxas de seguro de frete marítimo são um segredo bem guardado, negociado separadamente em cada viagem. Os transportadores dizem que pagam entre US$ 2.000 e US$ 5.000 por dia para cobrir desde acidentes e vazamentos de óleo até ataques de piratas ou mortes a bordo. O custo total de operação de um petroleiro, incluído combustível, está entre US$ 10.000 e US$ 50.000 por dia.

Se os ataques continuarem, as seguradoras vão aumentar os preços para as embarcações que fazem a rota de três dias pelo Golfo de Áden e o Canal de Suez até os governos provarem ser capazes de conter a pirataria, diz Simon Beale, da Amlin PLC, uma seguradora de Londres.

Há sempre cerca de 300 navios mercantes no Golfo de Áden, segundo estimativa da Câmara Internacional de Transporte Marítimo. Os piratas atacam um em cada dez deles. A maioria dos ataques fracassa. Segundo a Lloyd’s Marine Intelligence Unit, firma britânica de dados da marinha mercante, aproxidamente 6.500 petroleiros, carregando 7% de todo o petróleo do mundo, usaram a rota em 2007.

Em maio, as seguradoras declararam o Golfo de Áden uma zona de “risco de guerra”. As transportadoras que usam a rota de três dias pagam um “prêmio de risco de guerra” de dezenas de milhares de dólares por dia, dizem empresas de seguros e de transporte marítimo, o que pode agora ser ampliado. “Ainda não decidimos se é ou não o caso de declarar a rota do Cabo uma rota de risco de guerra”, diz Brendan Flood, da Hiscox, uma integrante do do Lloyd’s de Londres.

Recentemente, a Hiscox começou a oferecer segurança adicional para seqüestros e resgates entre US$ 12.000 e US$ 19.000 por viagem no Golfo de Áden. A companhia não informou se alguém já comprou as novas apólices.

Os piratas da Somália já coletaram cerca de US$ 30 milhões em pagamentos de resgate este ano, segundo a Agência Marítima Internacional. Os transportadores de óleo dizem que estão confiantes de que os navios de rotas ao redor da África podem se desviar dos piratas navegando mais para o alto-mar. “Esse não é ainda um risco permanente”, diz Michael Storgaard, um porta-voz para transportadora marítima A.P. Moller-Maersk.

A natureza espetacular do ataque ao Sirius também vai levar ao aumento dos salários das tripulações, dizem as transportadoras.

mês passado, quando um dos petroleiros foi atacado, o capitão Russell Davies aumentou a velocidade da embarcação e dirigiu em ziguezague até aparecer um navio espanhol. “As balas dos piratas faziam barulho nas laterais”, diz ele. Davies diz que receberia bem a presença de seguranças armados a bordo, como alguns governos recomendaram. As seguradoras e as transportadoras dizem que uma tripulação armada poderia colocar os navios em situações ainda mais perigosas.

Algumas embarcações são invulneráveis. Navios de contêiners, que carregam a maior parte das mercadorias manufaturadas do mundo, navegam muito acima da linha de água e são relativamente rápidos, viajando em mar aberto a 45 quilômetros por hora.

Os lentos petroleiros e graneleiros têm mais a temer. A Odjfell SE, uma companhia norueguesa com 100 navios-tanque de transporte de produtos químicos, informa que está desviando a rota de todas as unidades que percorrem a costa africana, a um custo extra de US$ 30.000 por dia.

Por Valor Econômico – SP-John W. Miller, The Wall Street Journal

Para quem pensava que Jack Sparrow foi o último pirata, está completamente enganado. Só que os piratas modernos usam fuzis, metralhadoras, pistolas, arma de grosso calibre, explosivos, enfim, um arsenal de guerra.

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